DPM-CGNATProteção e Defesa Civil do Brasil (SEDEC)DPM · SEDEC · MIDR — Departamento de Prevenção e Mitigação
Ficha de projeto · proposta para decisão · 02/11/2026

Proposta ampliada · OE-7 no planejamento do DPM · Diretoria e CGNAT

Guardiões do Clima

Estudantes do ensino médio investigariam a chuva local e os riscos do território. Com professores, técnicos e defesa civil, poderiam usar as observações em aula e orientar novas perguntas de prevenção.

Situação
Proposta de aperfeiçoamento do projeto em estruturação
Territórios sugeridos
Nova Friburgo (RJ), Petrópolis (RJ) e São Sebastião (SP)
Possíveis interlocutores
MCTI, MEC, redes de ensino, prefeituras e defesas civis. Hipótese de cooperação com instituições chinesas.
Âncora técnica
Territórios do projeto SABO

Resumo para quem decide · leitura de 1 minuto

O Guardiões do Clima em cinco quadros

Uma ideia simples: começar pela escola para proteger vidas, formar profissionais e criar empresas.

O problema

A precipitação em uma cabeceira pode diferir da registrada na sede do município. Medir nos dois locais ajuda a entender essa diferença.

A escola entra em cena

Sob orientação docente, os jovens fariam leituras no pátio da escola e analisariam dados. As equipes técnicas cuidariam da instalação e manutenção.

Como os dados ajudariam

Dados validados poderiam apoiar o estudo de limiares pelos órgãos técnicos. As autoridades competentes decidem quando alertar.

Ideias para protótipos

Protótipos estudantis poderiam ser avaliados para incubação, proteção intelectual ou desenvolvimento profissional.

Efeitos a avaliar

Aprendizagem, qualidade dos dados e efeitos sobre a comunidade seriam avaliados ao longo do piloto.

Quem mede, entende. Quem entende, previne.

Cinco questões para decisão

Proteção das pessoasA ficha sugere investigar uma redução de 50% nas mortes até 2034. Atribuir eventual mudança ao projeto exigiria linha de base e comparação.
Formação e inovaçãoCenário para discussão em oito anos: 1.500 técnicos, 150 especialistas, 15 startups e 10 pedidos de patente ou registros de software.
Custo e benefícioComparar instalação, formação e cinco anos de manutenção com benefícios educacionais e operacionais verificáveis.
ContinuidadeAvaliar o enquadramento legal, o orçamento e a governança para operação de longo prazo.
CooperaçãoConsultar instituições chinesas e brasileiras sobre intercâmbio e bolsas e avaliar a pertinência do MCR2030 para os municípios.

O que pedimos agora

  1. Avaliar o conceito e a viabilidade de um piloto nos três territórios candidatos.
  2. Autorizar a articulação com MCTI, MEC, Rede Federal, escolas técnicas e prefeituras.
  3. Iniciar a institucionalização como projeto de Estado e a consulta sobre a cooperação com a China.
Ver todos os encaminhamentos ↓

Ficha completa

A ideia em uma frase

A escola poderia medir a chuva com segurança, estudar sua relação com o território e conversar com a defesa civil sobre os dados que ajudariam a prevenção.

O desenho inicial prevê pluviometria escolar e dados abertos. Esta ampliação propõe seis frentes e prioriza escolas que atendam comunidades expostas. Sugere avaliar três territórios associados ao SABO com o MCTI, o MEC, as redes de ensino e as prefeituras. A adesão dependeria de consulta, equipe, recursos e avaliação local.

6frentes integradas, da sala de aula ao protocolo de emergência
3territórios indicados pela ficha para avaliação técnica e diálogo local
100escolas em um cenário do planejamento para 2028, sujeito a pactuação

Continuidade

Alternativas para continuidade institucional

A cultura de risco leva uma geração para se formar. Por isso o projeto precisa atravessar mandatos, com base legal, orçamento plurianual e governança permanente. O horizonte das metas, de 2027 a 2034, cobre dois ciclos de governo.

Base legal

A proposta toma como referência a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil e prevê estudar um instrumento conjunto entre MIDR, MEC e MCTI e a articulação com o plano nacional. A forma jurídica dependeria de análise pelas áreas competentes.

Orçamento plurianual

Possibilidade a discutir para o PPA 2028–2031, com avaliação de fontes complementares e dos recursos necessários à manutenção.

Governança permanente

Comitê gestor interministerial com estados, municípios, Rede Federal e sociedade civil, secretaria-executiva no DPM e acompanhamento semestral.

Currículo e carreira

Inserção nos itinerários formativos do ensino médio e no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, para que o projeto não dependa da adesão voluntária de cada escola.

Dados como patrimônio público

Propõe-se definir padrão, guarda, acesso e responsabilidades para os dados ambientais com as instituições interessadas, incluindo Cemaden e ANA.

Transparência e avaliação

Painel público de metas, relatório anual de resultados e avaliação independente de impacto a cada quatro anos.

Por que monitorar e por que começar pelos jovens

A chuva que causa o desastre nem sempre cai onde as pessoas estão

A ficha registra o caso da corrida de detritos de agosto de 2010 em Zhouqu, na província chinesa de Gansu. Os valores apresentados no seminário ilustram como a distribuição da chuva dentro da bacia pode mudar a interpretação de um evento.

O mesmo padrão aparece nas serras brasileiras: chuva extrema e concentrada em cabeceiras íngremes, solo raso sobre rocha, moradias em cortes de talude e ocupação na saída dos vales. Alertas confiáveis dependem de três coisas que hoje faltam nesses territórios: rede densa de medição, séries históricas longas e gatilhos calibrados para cada bacia.

A rotina de leituras na escola dá continuidade à aprendizagem. Professores e profissionais orientariam a comparação com dados oficiais e discutiriam com as famílias o que as observações permitem concluir.

Chuva acumulada na noite de 7 para 8 de agosto de 2010

Zhouqu, Gansu (China), entre 21h e 7h

Sede do município (1.380 m)
11 mm
Cabeceira (estação Dongshan)
97 mm

O valor na cabeceira foi cerca de nove vezes o da sede. Os números reproduzem o relato do seminário citado na ficha original e ilustram este evento específico.

Medir onde o perigo nasce

Pluviógrafos nas cabeceiras e encostas, e não só nos bairros e escolas.

Medir a água dentro do solo

Pressão da água e umidade ajudam técnicos a avaliar condições da encosta, junto à geologia, à drenagem e ao histórico local.

Registrar a hora das ocorrências

Sem saber quando cada deslizamento aconteceu, não é possível calibrar os gatilhos de alerta.

Como o projeto funciona

Uma corrente virtuosa que começa na escola e volta para a comunidade

Cada frente alimenta a seguinte. O resultado acumulado é uma população mais consciente, que exige e sustenta a prevenção.

Ciclo de seis frentes em torno de uma população mais consciente População consciente Educaçãojovens Monitora-mento Dados eestatística Alertas eprotocolos Incubadorainovação Formaçãoprofissional
  1. Educação e cultura de risco. O jovem do ensino médio aprende a ler o território, a chuva e os sinais de perigo.
  2. Monitoramento participativo. Estudantes fariam leituras em ambiente escolar seguro. Técnicos responderiam pela calibração, instalação e manutenção de campo.
  3. Dados e estatística. Séries novas somadas ao resgate do histórico melhoram os estudos do passado.
  4. Gatilhos, alertas e protocolos. Limiares calibrados por bacia e planos de emergência revisados com as defesas civis.
  5. Incubadora de inovação. Desafios reais viram protótipos, patentes e empresas que vendem serviços e equipamentos.
  6. Formação profissional. Talentos treinados abastecem as prefeituras, o estado e o mercado, e voltam às escolas como mentores.

As seis frentes em detalhe

Atividades e entregas propostas

Frente 01MEC · redes estaduais · DPM

Educação e cultura de risco

Propor um percurso escolar de educação ambiental e prevenção, alinhado ao currículo e construído com as redes de ensino e as experiências do Cemaden Educação.

  • Prioridade para as escolas com mais alunos morando em áreas de risco alto e muito alto
  • Trilha curricular de cultura de risco para o ensino médio, com material do Cemaden Educação
  • Clubes Guardiões do Clima nas escolas, com professores formados como multiplicadores
  • Feiras científicas regionais e uma mostra nacional anual
  • Simulados de evacuação nas escolas e nos bairros, com os alunos como agentes de comunicação para as famílias

Entrega propostaCurrículo, kit pedagógico, professores formados e clubes ativos em cada escola do piloto.

Frente 02Cemaden · DPM/CGNAT · universidades

Monitoramento participativo e técnico

Adensar a rede de medição nos lugares onde o perigo se forma, complementando a rede oficial do Cemaden, do INMET e dos órgãos estaduais sem duplicá-la.

  • Pluviômetros telemétricos em escolas, com leitura pedagógica supervisionada e manutenção técnica.
  • Pluviógrafos nas cabeceiras dos vales que drenam para áreas ocupadas
  • Piezômetros e sensores de umidade em encostas críticas dos territórios SABO
  • Sensores de nível nos córregos urbanos, com câmeras nos pontos críticos

Entrega propostaRede instalada em três camadas (escola, cabeceira, encosta), com telemetria, manutenção e dados abertos.

Frente 03DPM/CGNAT · Cemaden · universidades

Dados, estatística e histórico

Transformar as medições em conhecimento: séries confiáveis, inventário de ocorrências com data e hora e estudos que revisam as estatísticas do passado.

  • Resgate e digitalização de registros históricos de chuva e de desastres com apoio dos alunos
  • Inventário de deslizamentos e enxurradas com hora de início, local e impacto
  • Atualização das curvas de chuva intensa (projeto IDF-MC) com séries sub-horárias
  • Calibração dos modelos de estabilidade de encosta (TRIGRS) com dados de piezômetro

Entrega propostaBase de dados padronizada e aberta, integrada ao Cemaden e à ANA, e relatórios estatísticos por bacia.

Frente 04Defesas civis · Cemaden · DPM

Gatilhos, alertas e protocolos de emergência

Usar os dados para construir gatilhos de alerta específicos de cada bacia e melhorar os planos de contingência das defesas civis locais.

  • Limiares de chuva e umidade do solo correlacionados com o inventário de ocorrências
  • Verificação dos alertas emitidos (acertos e falsos alarmes) para ganhar credibilidade
  • Revisão dos protocolos de emergência e das rotas de evacuação com as defesas civis
  • Escolas e comunidades praticariam os procedimentos orientados pela defesa civil para o recebimento de alertas oficiais.

Entrega propostaGatilhos por bacia validados, planos de contingência revisados e simulados anuais.

Frente 05MCTI · universidades e IFs · Sebrae

Incubadora de inovação

Converter os problemas reais do monitoramento em desafios tecnológicos e dar caminho para que as melhores soluções virem produtos, patentes e empresas.

  • Desafios anuais: sensores de baixo custo, telemetria resiliente, aplicativos de alerta, análise de dados
  • Hackathons e pré-incubação em parceria com incubadoras de universidades e Institutos Federais
  • Apoio à proteção de propriedade intelectual e acesso a instrumentos de fomento do MCTI
  • Estudo de instrumentos de contratação pública aplicáveis às soluções validadas.

Entrega propostaProtótipos validados em campo, pedidos de patente e startups com primeiros contratos.

Frente 06MEC · IFs · prefeituras · estados

Formação profissional e empregabilidade

Formar mão de obra qualificada em monitoramento, geotecnia, hidrologia e gestão de riscos, alinhada às necessidades das prefeituras e dos governos estaduais.

  • Cursos técnicos e de qualificação com certificação, nos Institutos Federais e nas redes estaduais de escolas técnicas (FAETEC no RJ e Centro Paula Souza, com as ETECs, em SP)
  • Novos itinerários técnicos em monitoramento ambiental, geotecnia e defesa civil, com laboratórios montados com os equipamentos do projeto
  • Estágios e bolsas nas defesas civis municipais e estaduais
  • Banco de talentos para apoiar contratações e concursos das prefeituras e do estado
  • Ex-guardiões atuando como mentores das novas turmas

Entrega propostaTécnicos certificados, estagiários nas defesas civis e banco de talentos ativo.

Base técnica

Escolas técnicas e Institutos Federais como espinha dorsal do projeto

A Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e as redes estaduais de escolas técnicas (FAETEC no Rio de Janeiro e Centro Paula Souza em São Paulo) estão presentes no interior e já formam técnicos, professores e pesquisadores. Elas ligam a escola de ensino médio à ciência e ao mercado.

Polos regionais Guardiões

Cada polo tem laboratório de instrumentação e calibração e uma equipe que dá suporte às escolas da sua região.

Cursos técnicos com módulo de risco

Cursos existentes de meio ambiente, meteorologia, geologia, geoprocessamento, eletrônica, informática e operação de drones ganham um módulo de gestão de riscos e prática com a rede.

Manutenção da rede

Em laboratórios ou no pátio escolar, estudantes poderiam praticar leitura e verificação sob supervisão. Trabalho de campo em cabeceiras, canais, pontes e encostas caberia a profissionais habilitados. Bolsas dependeriam de edital.

Extensão para as escolas

Projetos de extensão levam os clubes Guardiões às escolas estaduais e municipais próximas a cada campus.

Inovação e patentes

Os Núcleos de Inovação Tecnológica protegem as invenções e as incubadoras dos institutos recebem as startups do projeto.

Professores e especialistas

Licenciaturas, especializações e mestrados profissionais formam os professores multiplicadores e os especialistas previstos nas metas.

Monitoramento

Equipamentos e onde cada um entra

Cada equipamento responde a uma pergunta diferente. Juntos, mostram a chuva, a água no solo e a resposta dos córregos.

Pluviômetro

Conta quantos milímetros de chuva caíram. É o primeiro instrumento dos clubes nas escolas.

Pluviógrafo

Uma pequena báscula vira a cada 0,2 mm e o registrador envia a intensidade da chuva pela rede.

Piezômetro

Um tubo enterrado na encosta mede a subida da água dentro do solo.

Sensor de umidade do solo

Sondas em várias profundidades mostram quanto de água o solo já guardou.

Inclinômetro

Detecta quando a encosta começa a se mover, milímetro a milímetro.

Sensor de nível

Instalado sob a ponte, mede a altura do córrego sem tocar na água.

Câmera de monitoramento

Confirma o que aconteceu e registra a hora exata do evento.

Estação meteorológica escolar

Chuva, vento, temperatura e umidade no pátio da escola, com energia solar.

Drone

Sobrevoa encostas e vales para gerar mapas 3D, achar trincas e cicatrizes e avaliar danos logo após o evento. Operado por técnicos habilitados, conforme as regras da ANAC e do DECEA.

EquipamentoO que medePara que serveCamada
Pluviômetro telemétricoChuva acumuladaEducação, adensamento da rede e validação do radarescola
PluviógrafoIntensidade da chuva a cada 5 a 10 minutosGatilhos de intensidade e duração, curvas IDF e séries históricasescolacabeceira
PiezômetroNível e pressão da água no soloAjuda a interpretar pressão da água e saturação em conjunto com a geologia da encosta.encosta
Sensor de umidade do soloÁgua armazenada em várias profundidadesDescreve as condições anteriores à chuva para estudo de infiltração e estabilidade.cabeceiraencosta
Inclinômetro / extensômetroDeslocamento da encosta em milímetrosRegistra deslocamentos para avaliação geotécnica por especialistas.encosta
Sensor de nível (radar)Nível do córrego, sem contatoEnxurradas e barramentos (o rio que some de repente)canal
Câmera com telemetriaImagem do canal ou da encostaDocumenta a ocorrência e auxilia na estimativa do horário.canalencosta
Drone (VANT)Imagens aéreas, modelos 3D do terreno e mapas de alta resoluçãoMapear cicatrizes, trincas e ocupação; comparar antes e depois dos eventos; apoiar a resposta e a avaliação de danosencostacanal
Estação meteorológica compactaChuva, temperatura, umidade, vento e pressãoContexto meteorológico e atividades pedagógicas.escola

Territórios candidatos a piloto

Três territórios candidatos associados aos estudos SABO

A ficha sugere avaliar três territórios ligados aos estudos SABO. A escolha dependeria da cobertura local de estações, do risco por bacia, da adesão escolar, da segurança e da capacidade de manutenção.

RIO DE JANEIRO · REGIÃO SERRANA

Nova Friburgo

Janeiro de 2011

Epicentro do megadesastre da Região Serrana, com mais de 900 mortes no conjunto dos municípios.

Foco: encostas instrumentadas em áreas de cicatrizes de 2011, pluviógrafos nas cabeceiras e formação técnica com a rede local de ensino.

RIO DE JANEIRO · REGIÃO SERRANA

Petrópolis

Fevereiro de 2022

Chuva de cerca de 250 mm em poucas horas e mais de 230 mortes, a maioria em encostas ocupadas.

Foco: moradias em cortes de talude, sensores de nível nos rios urbanos e revisão dos protocolos de alerta com a defesa civil.

SÃO PAULO · LITORAL NORTE

São Sebastião

Fevereiro de 2023

Mais de 600 mm em 24 horas, recorde no país, e 65 mortes no litoral norte, a maioria na Vila Sahy.

Foco: corridas de detritos na Serra do Mar, leques de saída ocupados e escolas como pontos de alerta comunitário.

O SABO é citado como referência de estudo dos fluxos de detritos. Uma futura integração poderia testar se observações de chuva, umidade e ocorrências melhoram a análise de áreas atingidas.

Por onde começar

Primeiro as escolas dos alunos que moram nas áreas de maior risco

Os jovens que vivem nas encostas e nos fundos de vale são os mais expostos e os que mais podem levar a prevenção para dentro de casa. A escolha das escolas segue o endereço desses alunos, e não só a localização do prédio escolar.

Mapear o risco

Reunir os setores de risco alto e muito alto do Serviço Geológico do Brasil, os mapeamentos municipais e a base de população em áreas de risco do IBGE e do Cemaden.

Localizar quem mora lá

Estimar a população residente em cada setor, com atenção a crianças, jovens, idosos e pessoas com deficiência.

Cruzar com as matrículas

Com as secretarias de educação, identificar quais escolas recebem mais alunos que moram nesses setores.

Priorizar e começar

Ordenar as escolas pelo número de alunos em risco e iniciar por elas o piloto, os clubes e os simulados com as famílias.

A análise de exposição caberia às autoridades educacionais em ambiente restrito. O projeto receberia contagens agregadas, com supressão de grupos pequenos. Publicações e mapas não identificariam alunos nem domicílios.

Cooperação internacional

Potencial parceria com o governo chinês

Em 2 de novembro de 2026, a SEDEC participou, em Hunan (China), do Seminário Ministerial sobre Prevenção e Mitigação de Desastres e Tecnologia Geoespacial de Emergência para os países da Iniciativa Cinturão e Rota, promovido pela cooperação internacional chinesa (China Aid). As apresentações trataram exatamente dos temas deste projeto: ruptura de encostas rasas provocada por chuva, corridas de detritos por enxurrada e a dificuldade de alertar quando a chuva forte cai nas cabeceiras.

A China tem experiência em monitoramento comunitário de riscos geológicos, com moradores treinados como monitores locais, e em redes de equipamentos de baixo custo instaladas em grande número de pontos de risco. Brasil e China também cooperam há décadas em satélites de observação da Terra, no programa CBERS. O próprio seminário foi sediado em uma escola vocacional de segurança, modelo próximo da frente de escolas técnicas deste projeto.

Capacitação e intercâmbio

Cursos e missões técnicas para professores, técnicos das defesas civis e estudantes, nos moldes dos seminários da China Aid.

Escolas técnicas irmãs

Parceria entre escolas técnicas brasileiras e escolas vocacionais chinesas de segurança e gestão de desastres, como a que sediou o seminário.

Equipamentos e tecnologia

Cooperação no fornecimento e no desenvolvimento conjunto de sensores, com transferência de tecnologia para a incubadora brasileira.

Pesquisa em corridas de detritos

Intercâmbio com centros chineses de pesquisa em riscos de montanha, apoiando o projeto SABO e a calibração dos gatilhos.

Dados geoespaciais

Imagens de satélite, inclusive do programa CBERS, para mapear cicatrizes de deslizamentos, ocupação e áreas de risco.

Monitoramento comunitário

Troca de experiências entre o modelo chinês de monitores locais e os Guardiões do Clima.

Proposta de bolsas na China

Proposta para consulta a instituições anfitriãs e financiadoras. Cada modalidade exigiria edital, seleção, recursos e, para menores, supervisão e autorizações específicas.

Nível 1

Cursos técnicos curtos

Semanas de formação prática em monitoramento, sensores e resposta a emergências em escolas vocacionais de segurança.

Alunos de cursos técnicos premiados

Nível 2

Graduação

Bolsas integrais em geologia, engenharia geotécnica, hidrologia e gestão de emergências.

Medalhistas da Olimpíada e vencedores das feiras

Nível 3

Especialização para professores

Cursos de atualização para professores multiplicadores, nos moldes dos seminários da cooperação chinesa.

Professores das redes de ensino e dos IFs

Nível 4

Mestrado

Pesquisa aplicada em riscos de montanha, corridas de detritos e sistemas de alerta.

Técnicos e graduados do projeto

Nível 5

Doutorado

Formação de pesquisadores que voltam para liderar centros de monitoramento, universidades e institutos federais.

Mestres com projetos aplicados

Instituições de referência a consultarInstituto de Riscos de Montanha e Meio Ambiente da Academia Chinesa de Ciências (Chengdu), Laboratório Estatal de Prevenção de Riscos Geológicos da Universidade de Tecnologia de Chengdu, Universidade de Geociências da China e Hunan Vocational College of Safety Technology.
Instrumentos possíveisBolsas do governo chinês (China Scholarship Council), programas de capacitação da cooperação chinesa e cofinanciamento brasileiro pela CAPES e pelo CNPq.
Condições de retorno e mentoria poderiam ser negociadas em edital com os financiadores e as instituições anfitriãs.

“Safe and sound.”Lema final da apresentação de Cheng Aibao

A ficha registra, no seminário, o exemplo de uma plataforma municipal de gestão de emergências em Hunan, com visão conjunta do território, das ocorrências, das estações e dos avisos.

Um intercâmbio institucional poderia discutir como dados escolares validados seriam disponibilizados à defesa civil. Operação e critérios de uso dependeriam de acordo técnico.

A cooperação seria articulada pelos canais oficiais do governo brasileiro (Ministério das Relações Exteriores e Agência Brasileira de Cooperação), com participação do MCTI e do MEC. Os termos dependem de negociação entre os dois governos.

Arranjo institucional

Papéis institucionais a negociar

ParceiroPapel no projetoFrentes
DPM / CGNAT (MIDR)Coordenação geral, padrão de dados, integração com SABO, TRIGRS, IDF-MC e ICPMtodas
MCTI e CemadenCiência e inovação, fomento à incubadora, especificação técnica e integração à rede oficial de monitoramento02 · 03 · 04 · 05
MEC, redes estaduais e IFsCurrículo, formação de professores, escolas participantes e cursos técnicos01 · 06
PrefeiturasEscolas municipais, locais de instalação, compra pública de inovação e incorporação de profissionais01 · 05 · 06
Defesas civis locais e estaduaisUso dos dados nos alertas, revisão de protocolos, simulados e estágios04 · 06
Governos do RJ e de SPRedes estaduais de ensino, órgãos estaduais de monitoramento e geologia01 · 02 · 06
Universidades e incubadorasInstrumentação de encostas, análise de dados, pré-incubação e mentoria02 · 03 · 05
Escolas técnicas (IFs, FAETEC, Centro Paula Souza, SENAI)Cursos técnicos, laboratórios de instrumentação, manutenção da rede e estágios02 · 05 · 06
Governo da China (em prospecção)Capacitação, intercâmbio entre escolas técnicas, tecnologia de monitoramento, pesquisa em fluxo de detritos e dados de satélite02 · 03 · 05 · 06

Roteiro

Fases e datas propostas

Fase 0 · 2026–2027

Pactuação e diagnóstico

  • Acordo com MCTI, MEC e prefeituras
  • Mapa da rede existente e das lacunas
  • Cruzamento das áreas de risco com as matrículas e seleção das escolas prioritárias

Fase 1 · 2027

Piloto nos territórios que aderirem

  • Clubes e currículo nas escolas
  • Primeiras estações nas três camadas
  • Primeiro desafio da incubadora

Fase 2 · 2028

Estudo de limiares

  • Primeiros gatilhos por bacia
  • Protocolos revisados e simulados
  • Primeira turma de cursos técnicos

Fase 3 · 2029

Escala e replicação

  • Avaliar a referência de 100 escolas e a capacidade de expansão.
  • Testar o interesse de possíveis usuários nos protótipos.
  • Modelo replicável para outras serras

Ideias que fazem diferença

Doze iniciativas para mudar a cultura de desastres no país

Propostas criativas, de custo baixo ou moderado, que dão visibilidade ao projeto, aproximam o mercado e abrem caminhos profissionais para os jovens.

cultura de risco

Memória das Águas

Alunos poderiam pesquisar registros e produzir placas sobre marcas históricas de cheias. Adultos autorizados cuidariam da colocação em locais públicos seguros.

cultura de riscoprofissão

Olimpíada Brasileira de Prevenção de Desastres

Competição nacional para o ensino médio e técnico, nos moldes das olimpíadas científicas, com medalhas, bolsas de estudo e vagas na incubadora.

cultura de risco

Vizinho Guardião

Em exercícios conduzidos por adultos, turmas e famílias poderiam discutir como receber avisos oficiais e pedir apoio. O acompanhamento de pessoas vulneráveis durante uma emergência cabe às equipes responsáveis.

cultura de riscociência

Maquete viva da bacia

Caixa de areia com realidade aumentada e chuva simulada: os alunos veem a água escorrer, o solo saturar e a encosta romper, e depois comparam com os dados reais da sua estação.

mercadoprofissão

Manutenção como negócio

Egressos poderiam explorar a formação de empresas ou cooperativas de manutenção. A contratação dependeria da demanda e dos procedimentos de cada órgão.

mercado

Avaliação da compra pública de inovação

Municípios, estados e União poderiam avaliar instrumentos de contratação para soluções validadas. Cada compra dependeria de necessidade, orçamento, análise jurídica e procedimento próprio.

mercadociência

Selo Dado Guardião

Certificação de qualidade para estações de escolas, condomínios, empresas e produtores rurais. Quem cumpre o padrão entra na rede aberta, o que cria mercado para instalação, calibração e serviços de dados.

ciência

Caça ao Dado Histórico

Mutirões escolares para digitalizar registros antigos de chuva e de desastres guardados em jornais, paróquias, cartórios e arquivos municipais, ampliando as séries usadas nos estudos estatísticos.

cultura de risco

Dia Nacional do Guardião

Um dia por ano com simulado simultâneo em todas as escolas participantes, mostra de projetos e prestação de contas pública dos dados, inspirado no Dia de Prevenção de Desastres do Japão.

profissão

Residência Técnica em Defesa Civil

Programa de primeiro emprego: um ano de atuação remunerada nas defesas civis e nos centros de monitoramento, com mentoria e certificação, abrindo caminho para concursos e para o mercado.

profissãociência

Intercâmbio Jovens Guardiões Brasil–China

Proposta de intercâmbio entre escolas vocacionais, sujeita a parceiros, critérios de seleção, bolsas, supervisão e autorizações de viagem.

cultura de risco

Cidades que aprendem

Os municípios poderiam avaliar sua adesão ao MCR2030 e discutir indicadores com as equipes responsáveis.

Horizonte de 8 anos · 2027–2034

Metas de impacto propostas para discussão

Cenários de trabalho para pactuação com os parceiros. A ficha propõe comparar 2028, 2030 e 2034. Os números são ambições a avaliar, sem financiamento ou previsão de resultado confirmados.

Inovação10pedidos de patente e registros de software
Inovação15startups incubadas, com produtos ou serviços no mercado
Pessoas1.500técnicos formados em monitoramento, geotecnia e defesa civil
Pessoas150especialistas formados em especialização e mestrado
Educação30 miljovens participantes em 300 escolas
Educação1.000professores formados como multiplicadores
Proteção−50%mortes por deslizamentos e enxurradas nos municípios atendidos
Proteção−30%danos e prejuízos em eventos com alerta antecipado
Meta202820302034
Escolas participantes100180300
Jovens participantes5.00012.00030.000
Professores formados2005001.000
Técnicos formados1506001.500
Especialistas formados2060150
Bolsistas na China (cursos, graduação e pós)1–23–55–10
Estações de monitoramento ativas100250500
Bacias com gatilho de alerta próprio3820
Pedidos de patente e registros de software1410
Startups incubadas2615
Redução de mortes (vs. média 2011–2026)—−25%−50%
Redução de danos em eventos com alerta—−15%−30%

A ficha sugere a média de 2011–2026 do S2iD e do Atlas como linha de base a construir. Os cenários de redução dependem da frequência e intensidade dos eventos, exposição e registros. Atribuir mudanças ao programa exigiria avaliação comparativa. O número de 100 escolas em 2028 também é uma proposta de planejamento.

Como mediremos o sucesso

Indicadores por frente

As metas numéricas serão pactuadas com os parceiros na Fase 0.

FrenteIndicador
01 EducaçãoAlunos moradores de áreas de risco alcançados; escolas, professores formados e estudantes participantes; percepção de risco antes e depois
02 MonitoramentoEstações ativas; percentual de tempo transmitindo durante eventos de chuva
03 DadosAnos de série contínua; ocorrências inventariadas com data e hora; registros históricos resgatados
04 AlertasBacias com gatilho próprio; taxa de acerto e de falso alarme; planos revisados e simulados realizados
05 InovaçãoProtótipos validados; pedidos de patente; startups criadas e contratos firmados
06 FormaçãoTécnicos certificados; estagiários nas defesas civis; egressos contratados por prefeituras e estado

Atenção

Riscos principais e como reduzi-los

Equipamento sem manutençãoOrçamento de operação e manutenção por pelo menos cinco anos e um responsável por estação.
Dado de baixa qualidadeProtocolo único de instalação, aferição periódica e controle de qualidade feito pelo Cemaden e pelas universidades.
Falha de comunicação durante a chuvaTelemetria redundante (celular e rádio) e memória local nos registradores.
Descontinuidade nas escolasProjeto inserido no currículo e no calendário escolar, e não dependente de um único professor.
Confusão de papéis no alertaA comunidade gera dados e se autoprotege; o alerta oficial continua sendo atribuição da defesa civil.
Incubadora sem mercadoDesafios definidos a partir de demandas reais das prefeituras e uso da compra pública de inovação.

Encaminhamentos solicitados à Direção

Para avançar

  1. Aprovar o conceito ampliado do Guardiões do Clima, com as seis frentes integradas.
  2. Autorizar a articulação formal com o MCTI e o MEC, e o contato com as prefeituras de Nova Friburgo, Petrópolis e São Sebastião.
  3. Consultar os três municípios candidatos e as redes de ensino sobre exposição, cobertura, adesão e manutenção antes da seleção.
  4. Designar a equipe do DPM e da CGNAT responsável e elaborar o Termo de Abertura do Projeto (TAP), com orçamento e cronograma.
  5. Autorizar consulta ao Ministério das Relações Exteriores e à Agência Brasileira de Cooperação sobre uma cooperação com o governo chinês, aproveitando os contatos do seminário de Hunan.
  6. Propor portaria interministerial e ação no Plano Plurianual 2028–2031 para institucionalizar o Guardiões do Clima como projeto de Estado.
  7. Envolver desde a Fase 0 a Rede Federal de Educação Profissional (SETEC/MEC) e as redes estaduais de escolas técnicas.